3. Análise Física e Sócio-Econômica

(continuação)

3.3.9 Região de Planejamento (RP) São Pedro


Estruturação Espacial

A RP São Pedro, região comumente identificada como Cidade Alta, extende-se, no sentido leste-oeste, do Morro do Imperador até à bacia do Córrego São Pedro (Mapa 12).

Embora se destaque o antigo assentamento de Borboleta e São Pedro por colonos alemães, a ocupação da região foi intensificada após a construção da BR-040. Possui vários eixos de penetração, que às vezes se comportam como elementos de ligação ao Centro com o eixo do extremo oeste, representado por esta rodovia federal, transformando áreas da RP em corredores viários para aqueles que desejam atingi-la.

Apresenta-se, assim, como “área de expansão urbana”, fruto de uma orientação que encontra seu principal marco na implantação da Av. Independência. Se antes a cidade se definia pelas áreas norte e sul, tendo a Av. Rio Branco como principal estruturadora, depois da conclusão da Av. Independência ocorreu a consolidação da Cidade Alta, definida pela sua ligação com a BR-040. Nota-se relativa desintegração do Bairro Borboleta com os demais da região, principalmente em função da sua posição geográfica e da diferença de altitude.

Por sua posição geográfica estratégica, aliada à presença de áreas de grande beleza natural, a “Cidade Alta” há décadas vem sendo apontada como área de grande potencial para o crescimento da cidade. Já nos fins da década de 70, a Prefeitura encomendou o Plano Diretor da Cidade Alta com a clara intenção de induzir a expansão para aquela região. Outros fatores também demonstram esta intenção, como a instalação do Campus da UFJF, bem como a de numerosos condomínios horizontais e loteamentos.

Dentro de seus limites encontram-se áreas de relevância ambiental, como o Morro do Imperador e seu entorno, as matas situadas ao longo da margem esquerda da Represa de São Pedro e algumas áreas verdes no Borboleta. Assim, para os padrões ambientais de Juiz de Fora, esta é a RP mais bem servida em áreas verdes, sem falar no Campus Universitário que, além das suas funções específicas, representa importante equipamento de recreação e lazer para cidade.

Comportando 4,42% da população do Município (16.598 habitantes - IBGE/1991), tem densidades demográficas das mais baixas, 7,22 hab./ha de densidade bruta e 11,86 se considerada a líquida. O mapa 14, da distribuição da população, mostra sua baixa densidade demográfica comparativamente a outras áreas da cidade. A RP caracteriza-se por uma ocupação horizontalizada, alastrada pela totalidade do território, com predominância de residências unifamiliares de, no máximo, 2 pavimentos. Observam-se relativas concentrações no Bairro Cidade Universitária e alto do Bairro Borboleta (Parque dos Flamboyants).

Atividades Econômicas

A heterogeneidade deixa suas marcas, também, nas atividades econômicas existentes. Há uma concentração maior nos principais corredores dos bairros São Pedro, Nossa Senhora de Fátima, Santos Dumont e Marilândia, e na parte central de Borboleta. Predominam as atividades de supermercados, açougues, lojas de materiais de construção, farmácias, padarias, etc., e ainda, as de prestação de serviços, como postos de combustíveis, serralherias, oficinas mecânicas e restaurantes.

Cabe especial destaque o papel da Universidade, pois sua polarização vem iniciando, ali, um processo de implantação de indústria de base tecnológica como a Quiral Química instalada em São Pedro.

Desta forma, embora a atividade econômica tenha um padrão relativamente baixo, a heterogeneidade se revela no caráter comercial do Borboleta e São Pedro e no caráter nitidamente residencial do Imperador e Parque Jardim da Serra.

Infra-Estrutura

Apesar de um pouco desarticulado do restante da cidade, a RP de São Pedro possui acessos com boas condições (Estrada Gentil Forn, Av. Guadalajara e Av. Independência), e mais recentemente, o acesso via Bairro Borboleta. A circulação viária interna, contudo, se apresenta deficitária devido às pequenas dimensões das caixas da maioria das vias. À medida que se chega aos pontos mais altos de muitos loteamentos, as ruas vão se tornando muito estreitas e com declividades acentuadas, não permitindo, às vezes, a implantação e passagem de transporte coletivo (Casablanca, Adolfo Vireque, Parque São Pedro, N.Sa. de Fátima).

Como vias estruturantes internas da parte mais adensada, estão a Rua João Lourenço Kelmer, a Av. Senhor dos Passos e a Av. Presidente Costa e Silva, sendo que somente um trecho desta última possui previsão de alargamento condizente com sua função. No restante das vias, que atualmente não promovem boa articulação e bom fluxo dos veículos, observa-se uma real dificuldade de melhoria de suas condições.

Cabe ressaltar a via marginal do Córrego São Pedro, em sua margem direita, que forma um binário com a Av. Presidente Costa e Silva, descongestionando-a e oferecendo nova alternativa de ligação com a Av. Senhor dos Passos.
Na parte menos adensada e onde predominam granjeamentos, a questão do sistema viário deixa de ser, no momento, tão preocupante em função de comportar menor tráfego.

No tocante à pavimentação, a maior parte dos itinerários de ônibus está asfaltada e as demais vias apresentam-se num nível razoável. A pavimentação da via de ligação Santos Dumont/Nova Califórnia, via Marilândia, deverá promover um grande impulso e a integração de todos os bairros da RP, a exemplo da ligação Borboleta/São Pedro.

No Bairro Cruzeiro de Santo Antônio localiza-se a Represa de São Pedro, responsável pelo abastecimento de água de toda a região. Mesmo abrigando tal equipamento, em época de estiagem parte da população sofre com o desabastecimento. Foram executadas as obras da subadutora, para suprir a demanda não só deste como também de parte da RP Cascatinha e da RP Santa Luzia. O abastecimento de água é complementado por poços que apresentam boa qualidade em áreas de lotes maiores e menos adensadas e de qualidade duvidosa quando localizados próximos de fossas, em lotes de pequenas dimensões ou, ainda, próximos de várzeas poluídas. Neste aspecto, a pior condição é a do Cruzeiro de Santo Antônio.

Os núcleos mais adensados contam com redes coletoras de esgotos, que são lançadas nos cursos d’água mais próximos, nem sempre, tendo volumes significativos. O Córrego São Pedro torna-se o destino final dos dejetos, ficando sobrecarregado, principalmente, durante o período de seca. Na região de granjeamentos predomina a existência de fossas, ocorrendo a interferência com poços e/ou nascentes.

Nos inúmeros lotes vagos e glebas, é comum o lançamento indevido de resíduos sólidos (lixo domiciliar e entulhos), dificultando a manutenção da limpeza pública, que é agravada pela dificuldade de coleta de lixo nas regiões mais altas. A vasta rede hídrica é também utilizada, em algumas áreas, como escoadouro do lixo.

Apesar dos equipamentos públicos de grande porte, a RP carece de áreas para lazer e, em especial, denota-se a falta das “praças de bairros” nas regiões de maior concentração populacional. A razoável oferta de áreas desocupadas possibilita uma estruturação desses equipamentos.

Uso e Ocupação do Solo

No que se refere ao parcelamento do solo, bem como ao padrão de ocupação, apresenta-se com grandes diferenciações internas que se distinguem, basicamente, pelas dimensões dos lotes e pela qualidade das habitações. O primeiro segmento perceptível é formado pelo Bairro Borboleta e pelo centro de São Pedro, marcados pelo retalhamento do solo com lotes de reduzido tamanho, poucas áreas ainda desocupadas e ausência quase total de áreas para recreação. Sendo de ocupação antiga e consolidada, mas possuindo, contudo, muitas carências, esta área vem sofrendo impactos da ocupação mais recente de seu entorno, fato que está comprometendo as condições de infra-estrutura existente e contribuindo para o desmantelamento da sua identidade cultural.

O segundo segmento é observado no restante do Bairro São Pedro, Marilândia e Santos Dumont, onde há predominância de parcelamento com lotes de médio porte, em que pese a existência de lotes menores. Percebe-se um padrão inferior nas construções localizadas nas áreas mais baixas de Marilândia e parte de Santos Dumont e Cidade Universitária. Um claro processo de substituição das edificações originais por outras notoriamente voltadas à elevação de padrão é ali identificado. Além das razões já salientadas, esse processo de renovação é atribuído, em parte, à ocupação por uma população de maior nível de renda, desde a implantação do Campus da UFJF.

O terceiro segmento apresenta um outro padrão, marcado pelos novos loteamentos fechados voltados para uma população de renda mais elevada. Destaca-se o Imperador, onde vêm sendo construídos loteamentos de uso unifamiliar destinados a esta classe — Jardins Imperiais, Chalés do Imperador, Granville, Parque Imperial, etc. — além da presença do Clube do Papo e do marco paisagístico constituído pelo próprio Morro do Imperador e seu Mirante e as cachoeiras do Córrego São Pedro, nos limites da área.

Um quarto segmento pode também ser identificado, onde são característicos os lotes de dimensões ainda maiores, e/ou granjas, que aparecem nos bairros Parque Jardim da Serra, Nova Califórnia, Novo Horizonte e Cruzeiro de Santo Antônio, sendo que parte delas é utilizada para lazer nos fins de semana. A porção noroeste, representada por Cruzeiro de Santo Antônio, tem como principal referencial a Represa de São Pedro.

Condições Sociais

As diferenciações internas podem ser verificadas, igualmente, pelos índices de rendimento médio dos chefes de família que, apesar de, no geral ser de 2,9 salários mínimos, apresenta fortes disparidades entre os mais de 10 salários mínimos do Imperador, até os menos de 2 salários mínimos do Bairro N. Sra. de Fátima; é também alta a proporção dos rendimentos até 2 salários mínimos (60,20% na média da RP) em todos os bairros.

Convivendo com os padrões apontados, encontram-se, sobretudo no Bairro N. Sra. de Fátima, várias áreas subnormais, como no Jardim Casablanca, Jardim de Fátima e Adolfo Vireque, caracterizadas por ocupações que situam-se nas vizinhanças das áreas mais valorizadas, como as do Condomínio Jardins Imperiais, Parque Imperial e Granville. Há, contudo, investimentos públicos nessas áreas mais carentes, como a regularização fundiária, a extensão de redes de água e esgoto e o calçamento de vias.

Em São Pedro encontra-se uma área parcialmente ocupada, com deficiência de infra-estrutura, situada na parte alta. A ocorrência de recentes ocupações de baixo padrão habitacional numa área sem saneamento básico, situada no prolongamento da Av. Senhor dos Passos, junto à encosta da área do Kartódromo torna-se preocupante. No Borboleta, também, pode ser registrado um crescimento de ocupações subnormais, notadamente nas encostas e na ligação da Rua José Lourenço ao Kartódromo.

Quatro escolas municipais, localizadas próximas da população de baixa renda, oferecem o ensino fundamental (1ª a 8ª série) e o curso médio, além do supletivo.

Há 2 unidades de saúde e o tratamento odontológico é oferecido pela Faculdade de Odontologia, gratuitamente.

Condições Ambientais

A bacia hidrográfica da Represa de São Pedro necessita de cuidados especiais, por ser importante manancial e referencial paisagístico desta RP. A crescente ocupação nas suas margens, principalmente das nascentes, pode comprometer a qualidade e quantidade da água armazenada. Há sinais de contaminação de poços rasos utilizados para abastecimento da população local. O processo de implantação da BR-040, que seccionou a bacia numa extensão de, aproximadamente, 4 km, provocou o início de assoreamento da Represa, hoje agravado com a movimentação de terra, dada a crescente ocupação e desmatamento.

O grande platô, onde se localiza o Kartódromo e a pista de Motocross, representa um dos maiores problemas ambientais do Município. Os processos erosivos em constante evolução comprometem os Córregos São Pedro, Borboleta e Carlos Chagas, com a redução de suas calhas e o conseqüente aumento dos riscos de inundações, sendo os tanques da Fazenda São Judas Tadeu também atingidos.

O Córrego São Pedro e seu principal afluente, o Córrego Borboleta, recebem a maior parte do esgoto coletado, e comprometem a condição sanitária de algumas ocupações situadas nas margens, principalmente na época de estiagem. A recente retificação de parte do Córrego São Pedro, porém, reduziu significativamente os riscos de transbordamentos.

Considerando-se o padrão da cidade, a RP São Pedro não se constitui de relevo acentuado, fator que não o expõe a grandes riscos de deslizamentos. No entanto, são observados pontos localizados de instabilidade, geralmente junto às encostas do Borboleta, Tupã e Jardim Casablanca.

Ressalta-se a existência de extensas áreas verdes distribuídas internamente e nos seus limites, como a Reserva Biológica de Santa Cândida e Mata de Borboleta/Fábrica, Mata de São Pedro (junto à Represa), e a Mata do Morro do Imperador, e seus elevados níveis de áreas florestadas, com média de 276,01 m2/hab..

Conclusões

Esta é uma região onde há grande interesse de ocupação, principalmente por parte da classe média, mas há necessidade de uma compatibilização da infra-estrutura e da estrutura urbana já consolidada com futuras demandas, e de cuidados especiais para se evitar um adensamento desproporcional à sua capacidade de absorção. As áreas a oeste da BR-040, merecem um controle específico pois com um grande adensamento, a cidade ficaria seccionada pela rodovia. A legislação vigente já expressando esta preocupação, estabeleceu o uso unifamiliar e o padrão para granjeamentos.

Na área do manancial, para a garantia de sua qualidade, deve-se melhorar o destino final dos efluentes domésticos, canalizando-os e retirando-os das proximidades da Represa, combater o assoreamento e o lançamento de lixo e promover o reflorestamento, principalmente junto às nascentes.

Na área do entorno do Kartódromo, devem ser implantadas medidas de combate e recuperação do processo erosivo em seus taludes que, conseqüentemente, possibilitarão a recuperação dos córregos.

A articulação viária, que se faz unicamente com o Centro, provoca excessivo fluxo de tráfego nas vias de ligação. Em função da sua importância para todo o Município, essencialmente devido aos grandes equipamentos públicos nele instalados, é necessária a promoção de maior interligação desta RP com os demais, prioritariamente com os de maior potencial de crescimento.

 

3.3.10 Região de Planejamento (RP) Santa Cândida


Estruturação Espacial

Esta região corresponde a um grande vazio urbano, onde predomina uma ocupação com características rurais de baixa densidade, com grandes áreas particulares (Mapa 13).

Contido na Bacia Hidrográfica do Córrego Humaitá, predominam na região maciços com baixas amplitudes e pequenas declividades, mas destacam-se ainda as áreas de várzeas.

A região é cortada pelas rodovias BR 040 e BR 267, todavia isto não acarretou em crescimento urbano nesta área.

Atividades Econômicas

A atividade econômica na região é pouco expressiva. É constituída por explorações esporádicas de jazidas de saibro e pequena atividade agropecuária.

Nesta região, foi desativada há pouco tempo a Fábrica de Cobertores São Vicente, e hoje o local funciona como depósito de uma fábrica de automóveis.

Infra-Estrutura

Não há infra-estrutura instalada dada a baixa ocupação, porém existe facilidade de implantação devido à proximidade da região de planejamento Benfica, e aos mananciais de maior porte, e à facilidade de expansão de energia elétrica (subestação Juiz de Fora).

O acesso viário à área que liga o Bairro Milho Branco à BR 040 é precário, sem pavimentação e estreito.

Uso e Ocupação

A ocupação da região tem características rurais, formada em sua maior parte por grandes glebas e apresenta economia informal, como agropecuária e extração mineral.

Contudo, a região de Santa Cândida está sofrendo modificações com a implantação de novos loteamentos, como no caso da área próxima ao Bairro Milho Branco, já parcelada para granjeamento e pequenos desmembramentos.
Há interesse da Prefeitura de Juiz de Fora em lotear a fazenda Santa Cândida para habitação popular.

Portanto esta região apresenta um grande potencial de crescimento urbano, com áreas de topografia favorável a construções populares para a população de baixa renda.

Condições Sociais

Não existem na região, escolas, unidades de saúde, área de lazer, praças, ou qualquer tipo de equipamento comunitário.

Condições Ambientais

É a região com melhor índice de cobertura florestal da Bacia do Humaitá, abrangendo as Áreas de Especial Interesse Ambiental, Matas 1,2,3 e 4 do Córrego Humaitá, como também a unidade de conservação ambiental, Reserva Biológica de Santa Cândida. Porém não se trata de uma região com bons índices de qualidade ambiental, devido à falta de matas ciliares, e à presença de grandes áreas para pastagem e áreas degradadas.

Existem, na região, áreas de exploração mineral que, além de provocar a degradação e o desmatamento, estão causando o assoreamento do Córrego Humaitá, contribuindo com os problemas de transbordamento do curso d’água na área urbanizada, no Bairro Jardim Natal, na época das cheias.

Conclusões

A RP Santa Cândida é uma área favorável à ocupação para a população de baixa renda, devido à sua geomorfologia, facilidade de implantação de infra-estrutura e saneamento e também à sua proximidade ao centro e outras regiões. A implantação da Via Interbairros (uma das propostas do PDDU), fortalece este potencial de crescimento urbano na região.

Contudo deve ser observada a preservação das matas e recursos naturais e minerais, das Áreas de Especial Interesse Ambiental e da Reserva Biológica de Santa Cândida.


3.3.11 Região de Planejamento (RP) Benfica

Estruturação Espacial

Tendo como marco histórico o Bairro de Benfica, cuja ocupação se iniciou quase que concomitantemente à do núcleo central, e integrando-se ao vale do Rio Paraibuna, a RP Benfica tem sofrido um processo de expansão bastante intenso nos últimos anos.

O nucleamento de Benfica evoluiu de forma quase independente da malha urbana expandida a partir do Centro. A sua integração ao conjunto da cidade se deu progressivamente, pressionada pela implantação de novos empreendimentos na região, e do adensamento acompanhado de esgotamento da capacidade da infra-estrutura ao longo do vale do Rio Paraibuna, na Área Central. Por outro lado, ao longo dos anos, esta região vem recebendo continuamente uma série de benefícios por parte dos Poderes Públicos Municipal, Estadual e mesmo Federal, visando consolidá-lo como Zona Industrial. A duplicação da Av. Juscelino Kubitschek, principal via que o atravessa, e também a localização do terminal Rodoviário, que deslocaram o trânsito de pessoas e veículos para a direção noroeste, compõem a série de iniciativas voltadas à sua valorização.

A implantação dos Distritos Industriais I e II a partir da década de 70, veio reafirmar a vocação industrial que já despontava naquela época, e que pôde ser confirmada com a instalação dos mais complexos ramos industriais: Paraibuna de Papéis (Parapolpa), Becton Dickinson, Facit, Dental Duflex, White Martins, Master, dentre outras, localizadas ao longo do eixo do Rio Paraibuna / RFFSA/ Av. Juscelino Kubitschek.

Uma longa faixa entre o Rio Paraibuna e o leito da RFFSA - que se estende desde o Bairro São Dimas ao Bairro Benfica, (excetuando-se a área militar — IMBEL, Colégio Militar e 4º GAC — que pertence a RP Represa), possui características diferenciadas. Sua totalidade constitui-se em área plana, na várzea do rio. As limitações de travessia em passagem de nível, porém, criam uma relativa desarticulação com o restante da RP, que se desenvolve do outro lado da margem da Av. Juscelino Kubitschek. O Acesso Norte, via marginal direita do Rio, em fase de conclusão, trará nova dinâmica a esta faixa, dando continuidade à Av. Brasil, desde o trevo do Rotary até o Distrito Industrial I.

A ocupação da RP, concentrada ao longo da Av. Juscelino Kubitschek, antiga estrada Juiz de Fora/Belo Horizonte, e os grandes vazios urbanos na sua periferia dão uma característica linear à mancha urbana.

Devido às suas grandes dimensões, A RP apresenta, em geral, densidades demográficas baixas, com menos de 50 hab./ha. Parte dos bairros Esplanada, Monte Castelo, Industrial, Jóquei Clube, Santa Cruz e Benfica apresenta densidade entre 100 e 200 hab./ha. No núcleo do Bairro Cidade do Sol e no conjunto habitacional Jóquei Clube III concentram-se suas maiores densidades demográficas, acima de 500 hab./ha (Mapa 14).

A RP Benfica, que congrega 17,06% da população total da cidade, ou seja, 64.501 habitantes, é a terceira mais populosa, atingindo uma densidade bruta de 25,57 hab./ha e líqüida de 41,65 hab./ha. Três bairros (Benfica, Barbosa Lage e Santa Cruz) abrigam 50% da população da RP.

Atividades Econômicas

Apesar do predomínio de uso residencial/comercial, é nítida a presença em de bairros com uso industrial como Benfica, Francisco Bernardino e Nova Era. A estrutura de consumo de energia elétrica ressalta a presença da indústria como responsável por 61,1% do total da RP, enquanto apenas 9,5% é consumida pelas atividades comerciais e de serviços e 29,4% por residências. Convém salientar que esses números são bem mais elevados, uma vez que os clientes especiais (as grandes indústrias), não têm seu consumo computado nessa análise.

Pelas características assinaladas, há significativa concentração de moradores que trabalham nas indústrias instaladas nos bairros que compõem a RP. Contudo, em razão da disponibilidade de áreas desocupadas e da conseqüente e sucessiva implantação de loteamentos populares, é crescente o número de habitantes não industriários.

A RP Benfica abriga o parque industrial da cidade, especificamente o Distrito Industrial I (empresas médias e grandes) e Minidistrito Industrial do Milho Branco (pequenas e médias). Ressalta-se a presença da CEASA MG - Centrais de Abastecimento Regional Mantiqueira no Bairro Santa Cruz.

Infra-Estrutura

A duplicação da Av. Juscelino Kubitschek e a abertura do Acesso Norte privilegiaram grande parte da RP, uma vez que as duas vias se complementam. Em contraponto, o trecho da Av. Brasil entre a Av. Rui Barbosa e o trevo do Rotary encontra-se bastante congestionado, recebendo, sozinho, todo o movimento da rodoviária. A Av. Olavo Bilac e a Rua Bernardo Mascarenhas contribuem, em parte, com o sistema, mas suas funções de vias coletoras locais dificultam a fluidez do trânsito.

A interligação entre os bairros, excetuando-se as avenidas acima citadas, quando existente, se faz através de vias com pequenas dimensões, geralmente sinuosas e com declividades acentuadas, e este aspecto constitui-se em fator de desintegração da RP.

A BR-040 se desenvolve em parte dos limites a oeste da RP e interliga-se à Av. Juscelino Kubitschek através da BR-267. A expansão populacional nas proximidades é preocupante, pela introdução de tráfego urbano em ligações rodoviárias.

Quase todo o itinerário dos ônibus e boa parte das demais vias possuem pavimentação asfáltica. Como no restante do Município, embora de forma menos significativa, em alguns bairros o acesso às partes mais altas se faz através de vias estreitas e com altas declividades.

A RP possui boa infra-estrutura de abastecimento de água, coleta de esgoto e de serviços de limpeza pública. A Usina de Reciclagem e Compostagem de Lixo, situada no Bairro Benfica, deverá estimular a coleta seletiva, melhorando o nível do serviço. Como a RP se desenvolve de forma linear no longo do Rio Paraibuna, existe um grande número de sub-bacias hidrográficas cujos córregos recebem o lançamento dos esgotos. Assim, o esgoto é lançado de forma distribuída, sendo os maiores receptores o Córrego Carlos Chagas, que recebe contribuição dos bairros Carlos Chagas e parte de Monte Castelo, o Córrego Santa Cruz, que recebe contribuição dos bairros Santa Cruz e parte de Nova Era e o Córrego Igrejinha, que recebe contribuição de parte de Benfica e de Igrejinha. Observa-se ainda, em alguns pontos, a utilização da vasta rede hídrica como escoadouro do lixo.

A RP Benfica é a que apresenta a maior facilidade de expansão do abastecimento de água, em vista da sua proximidade aos dois mais importantes mananciais em operação — Represa Dr. João Penido e Ribeirão Espírito Santo — além do Ribeirão Estiva, importante potencial hídrico, situado no seu entorno. No entanto, esta proximidade gera altas pressões hidráulicas nas redes, deixando as partes antigas mais propensas a rompimentos na distribuição.

Estando grande parte da RP na várzea do Rio Paraibuna, há dificuldade no escoamento superficial das águas pluviais. A várzea de Benfica, recebeu grandes intervenções de captação das águas, solucionando o problema. No Bairro Industrial, implantado em cotas baixas em relação ao nível das águas do Rio, há problemas de lançamento e na época das cheias, por retorno e/ou bloqueio do escoamento, algumas áreas são inundadas. Com a regularização da vazão do rio através da Barragem de Chapéu D’Uvas, aliada às dragagens periódicas, estas ocorrências tendem a minorar.

O fornecimento de energia elétrica é garantido pela Subestação Juiz de Fora “1” localizada no Bairro Barbosa Lage, que é interligado ao “Sistema Sudeste”, e não há restrições quanto à expansão no atendimento.

O gás natural é fornecido pela Bacia de Campos, através do gasoduto, às indústrias do extremo norte da RP.

Em contraponto à sua potencialidade, existe grande déficit de equipamento de lazer e esporte, tornando sua imagem urbana pouco atrativa e dificultando a convivência da comunidade.

Uso e Ocupação do Solo

Pode-se dizer que a RP apresenta relativa homogeneidade em relação ao uso e ocupação do solo e ao parcelamento, dada a predominância de lotes de pequenas dimensões, ocupados por residências unifamiliares ou conjuntos habitacionais constituídos de unidades isoladas ou de prédios de 3 ou 4 pavimentos. Apresenta-se, historicamente, receptor de investimentos em habitação popular, que inicialmente se direcionaram à construção de grande número de casas térreas (característica de Barbosa Lage) e posteriormente à construção de inúmeros blocos de apartamentos (característica de Cidade do Sol, Jóquei Clube II e Jóquei Clube III). Ressalta-se ainda o Loteamento Milho Branco, situado no bairro do mesmo nome, empreendimento de iniciativa do Poder Público Municipal que atende a um grande número de habitações populares bem como de indústrias de pequeno e médio porte.

Atualmente, esta tendência de habitações populares se confirma quando se verifica a implantação de vários loteamentos sob responsabilidade da EMCASA.

Quanto ao padrão de ocupação, o subconjunto formado pelos bairros São Dimas, Esplanada e Monte Castelo — mais próximos da RP Centro — passa por uma transição, quando sua ocupação mais antiga vem sofrendo um processo de transformação, devido às obras ali realizadas e/ou em construção. Observa-se, como marco recente, o Terminal Rodoviário, que juntamente com outros novos empreendimentos e obras viárias de grande porte, certamente imprimirão uma grande alteração naquele ambiente urbano.

Já a área norte e nordeste desta RP é menos adensada e marcada pela presença do DI I, além da Usina de Reciclagem e Compostagem de Lixo, ou seja, equipamentos de grandes dimensões ao lado de um setor residencial predominantemente horizontal e com algum comércio e prestação de serviços típicos de bairro, sobressaindo, neste caso, o núcleo do Bairro Benfica.

São observadas atividades comerciais e industriais ao longo das Avs. Brasil e Juscelino Kubitschek, principalmente nos bairros São Dimas, Cerâmica, Francisco Bernardino, Nova Era e Benfica.

A RP apresenta um grande potencial de expansão urbana com considerável presença de áreas ainda desocupadas, na sua maioria de propriedade particular e, também, um número significativo de lotes vagos, além de vazios urbanos com condições favoráveis ao adensamento devido à geomorfologia e possibilidade de ampliação de infra-estrutura.

Condições Sociais

O contingente populacional caracteriza-se como de renda baixa (média de 2,3 salários mínimos e proporção de chefes de família com rendimento até 2 salários mínimos de 53,7%) sobressaindo, apenas, o Bairro Carlos Chagas, cujo rendimento médio é superior aos demais, atingindo quase 4 salários mínimos e proporção menor, de 29,1% de chefes de família com rendimento até 2 salários mínimos.

Áreas como o Alto Jardim Natal, onde estão as Vilas Bejani e Tarcísio, abrigam famílias transferidas de locais próximos a RP Centro. A Vila Esperança I, por exemplo, abriga as 600 famílias assentadas pelo projeto de iniciativa da EMCASA, que se originam de pontos diversos da cidade, principalmente de áreas de risco e/ou insalubres. Outras iniciativas da EMCASA abrangem vários loteamentos populares como o Amazônia, com 451 lotes, o São Damião, com 230, o Parque das Torres, com 500 e o João Dickson, em implantação, com 220 lotes. Concentram-se, nesta RP, os maiores loteamentos populares implantados tanto pelo Poder Público e pela iniciativa privada quanto fixados espontaneamente. Quanto a estes últimos, implicam a existência de inúmeras áreas de ocupação irregular e encontram-se em diferentes estágios de regularização fundiária. Comparativamente à realidade das demais RPs, destacam-se os elevados números relativos à moradia popular, o que coloca a RP Benfica como a primeira, em valores absolutos, em assentamento de população de camadas sociais baixa e média-baixa no panorama da cidade.

Vários bairros desta RP possuem unidades de saúde, destacando-se a presença de uma Policlínica em Benfica, que presta amplo atendimento a toda região.

Dentre uma rede de escolas estaduais e municipais, espalhadas em seus bairros, destaca-se a presença de um Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente - CAIC, em Santa Cruz. Alguns cursos profissionalizantes, como o de Técnico em Contabilidade, são mantidos nas escolas estaduais, e de supletivos de ensinos fundamental e médio, em algumas escolas municipais, atendendo à demanda atual da RP. O Colégio Militar, embora situado na RP Represa, favorece a comunidade local.

Bastante carente de áreas públicas para lazer, a população pode usufruir, apenas, de praças em Benfica, Santa Cruz, Barbosa Lage e Bairro Industrial. Também são utilizadas áreas vazias para a prática de “futebol de várzea”.

Condições Ambientais

Com poucas áreas verdes, apenas Santa Cruz, Nova Era I e Barbosa Lage atendem ao índice mínimo de 12 m2 de área verde por habitante. As demais apresentam baixos índices de cobertura vegetal.

Sob o aspecto do meio físico, esta carência de áreas verdes, aliada à implantação inadequada dos parcelamentos e à ocupação indevida dos terrenos, ocasionam deslizamentos com sérios transtornos à população. Esta situação aparece de forma agravada nos bairros Esplanada, Jardim Natal, Jóquei Clube, Santa Cruz e Cerâmica.

O lançamento de esgoto diretamente nos cursos d’água, o lixo que sem a destinação correta fica exposto nos terrenos baldios ou depositado nos leitos dos córregos e ainda as crescentes erosões, são fatores que comprometem a qualidade ambiental.

Conclusões

A RP Benfica está se caracterizando como a que apresenta o maior potencial para expansão urbana, tanto do ponto de vista populacional quanto para o industrial. Apesar de ter recebido melhorias viárias, como a duplicação da Av. Juscelino Kubitschek e o Acesso Norte, há saturação do tráfego em trechos da Av. Brasil e Rua Bernardo Mascarenhas. Internamente, os bairros apresentam extrema dependência destas vias e praticamente não se interligam. Da mesma forma, não existe a ligação desta RP com as demais, excetuando-se a RP Centro e precariamente a RP Represa.

Sua ocupação linear, ao longo do Rio Paraibuna e da linha férrea, proporcionou certa descontinuidade da mancha urbana, ocasionando certos vazios com grande potencialidade de adensamento.

Em função de todas essas características, considerando a expansão das atividades industriais, a existência de áreas favoráveis à ocupação, o grande número de lotes e de vazios urbanos, as melhorias implantadas na malha viária estruturadora e a importância do núcleo de Benfica, constitui-se na RP estratégica para crescimento, razão pela qual as questões ligadas ao meio ambiente e aos equipamentos públicos, principalmente os de lazer, hoje escassos, tornam-se muito especiais.


3.3.12 Região de Planejamento (RP) Igrejinha


Estruturação Espacial

A região se desenvolve ao longo das Bacias do Córrego Igrejinha apresentando relevo favorável à ocupação, com predominância de área de várzea e maciços com baixas amplitudes e declividades.

O bairro surgiu a partir da estação da linha férrea, sendo seus primeiros moradores funcionários da Central do Brasil. Posteriormente a Igreja loteou e doou terrenos que tinham sido repassados a ela por fazendeiros da região (Mapa 15).

Apesar de ser cortada pela BR- 267 e a implantação da indústria Paraibuna de Metais, a região não sofreu nenhum crescimento.

Atividades Econômicas

A atividade econômica é pouco expressiva na região, destacando-se a presença da Cia. Paraibuna de Metais que utiliza pequena parcela da mão-de-obra local disponível, seja diretamente ou através de subempreiteiras. Além da pequena atividade agropecuária, existe apenas um pequeno comércio local.

Como a indústria local não absorve toda a mão-de-obra disponível o excedente da população tem que se deslocar diariamente para outras regiões com melhores ofertas de emprego.

Infra-Estrutura

Apesar da proximidade do manancial do Espírito Santo, o abastecimento de água da região é feito através de poço profundo, por motivos de inviabilidade econômica de construção de uma adutora para atendimento de um pequeno contingente populacional.

Existe captação de esgoto sanitário através de redes que é lançada, in natura, nos cursos de água.

A coleta de lixo na região é feita com frequência de duas vezes por semana, porém a utilização destes serviços pela população não é satisfatória, tendo em vista a grande quantidade de lixo acumulado em terrenos baldios e cursos d’àgua.

Não existe problemas de energia elétrica, atendendo a demanda atual.

Com exceção da Cia. Paraibuna de Metais, não existe rede telefônica instalada para atendimento da região, sendo oferecido à população dois telefones públicos celulares.

As vias têm, na maioria, pavimentação asfáltica, porém são deficientes de captação pluvial.

A BR-267 que corta o Bairro Igrejinha não tem iluminação pública, o que gera problemas para a população local.

O transporte coletivo local é feito por apenas um veículo, apresentando pouca disponibilidade de horários e lotação nos horários de pico.

Uso e Ocupação do Solo

Na região predomina o uso residencial, com construções unifamiliares de população de baixa renda, com habitações populares.

No antigo leito da ferrovia há um crescimento de áreas invadidas, sem nenhuma infra-estrutura e construções rudimentares.

A atividade comercial não é expressiva, apenas com comércio local como bares, ferro velho e armarinhos, e um restaurante que oferece momentos de lazer, cujo objetivo principal não é o atendimento da população local.

A Cia. Paraibuna de Metais não deu à região um impulso ao crescimento industrial, e é na região o único tipo de uso que difere do restante da região.

Condições Sociais

A presença na região de uma ocupação subnormal, mostra que a população carente da cidade, não invade somente as áreas mais centrais, se deslocando para as regiões mais afastadas da cidade e dificultando mais ainda a implantação de infra-estrutura e saneamento para estas famílias.

Condições Ambientais

Na Região encontra-se a área de especial interesse ambiental (AEIA) formada pela Mata da Bacia do Córrego Igrejinha, com aproximadamente 42,80 ha, e que tem a função ambiental de proteger nascentes e promover o equilíbrio ecológico. Apresenta também bolsões de matas em meio a grandes áreas de pastagens.
O desmatamento ocasionou, em algumas áreas, um profundo processo erosivo, carreando materiais para o Córrego Igrejinha, que junto com o esgoto doméstico lançado ao longo de seu curso, geram o desequilíbrio das condições hídricas locais, contribuindo desta maneira para a formação de áreas inundáveis às suas margens.

Conclusões

A RP Igrejinha é uma área bastante propícia à ocupação tanto industrial quanto residencial em função, principalmente, de seu relevo favorável e boas condições de acesso. Entretanto, é necessário ponderar-se o custo do investimento na implantação da infra-estrutura necessária para a região.

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